Passeio com cães em dias quentes: horários, riscos e cuidados com as patas
Horários ideais: Priorize passeios antes das 9h da manhã e após as 18h, quando as temperaturas do ar e do solo são mais amenas. Teste da palma da mão:.

Conteúdo educativo. O uhmogle não prescreve tratamentos, dosagens ou medicamentos. Em caso de qualquer alteração no comportamento, alimentação ou saúde do seu pet, procure um médico veterinário com registro no CRMV.
Olá, leitores da uhmogle! Marina Cavalcanti aqui para abordarmos um tema crucial, especialmente com a chegada das estações mais quentes ou em regiões de clima elevado: o passeio com nossos cães. Embora a atividade física seja fundamental para a saúde e o bem-estar dos pets, o calor excessivo exige atenção redobrada para evitar riscos sérios.
Entender os perigos que o asfalto quente e as altas temperaturas representam é o primeiro passo para garantir a segurança do seu companheiro. A superfície em que o cão pisa pode atingir temperaturas elevadíssimas, causando queimaduras graves nas patas, enquanto o calor ambiente pode levar a uma condição perigosa conhecida como hipertermia ou insolação.
Neste artigo, detalharemos os melhores horários para passear, os sinais de alerta de superaquecimento, os cuidados essenciais com as patas e como adaptar a rotina do seu cão em dias de calor intenso. Nosso objetivo é fornecer informações claras para que você e seu pet possam desfrutar dos passeios com total segurança.
Resumo rápido
- Horários ideais: Priorize passeios antes das 9h da manhã e após as 18h, quando as temperaturas do ar e do solo são mais amenas.
- Teste da palma da mão: Sempre verifique a temperatura do asfalto ou calçada com a palma da sua mão por 7 segundos. Se estiver muito quente para você, está quente demais para o seu cão.
- Sinais de superaquecimento: Fique atento a ofegação excessiva, salivação intensa, língua e gengivas vermelho-escuras, desorientação, vômitos e diarreia.
- Cuidados com as patas: Use protetores específicos, evite superfícies quentes e hidrate as almofadas plantares regularmente.
- Hidratação constante: Leve sempre água fresca para o seu cão e ofereça-a frequentemente durante o passeio.
A importância do passeio e os desafios do calor
O passeio diário é uma parte integrante da rotina saudável de um cão. Ele não apenas atende às necessidades físicas do animal, proporcionando exercício e ajudando a manter um peso saudável, mas também desempenha um papel vital em sua saúde mental e comportamental. Durante o passeio, os cães exploram o ambiente, interagem com cheiros, outros cães e pessoas, o que estimula seus sentidos e ajuda a aliviar o tédio e a ansiedade. É uma oportunidade para liberar energia acumulada, reduzir comportamentos destrutivos e fortalecer o vínculo com o tutor.
No entanto, quando as temperaturas sobem, o que antes era uma atividade prazerosa e benéfica pode se transformar em uma ameaça séria. O corpo dos cães funciona de maneira diferente do corpo humano para regular a temperatura. Enquanto nós suamos por toda a pele, os cães transpiram principalmente pelas almofadas das patas e ofegam para dissipar o calor. Em ambientes quentes e úmidos, essa capacidade de resfriamento pode ser rapidamente sobrecarregada.
O risco da hipertermia (insolação)
A hipertermia, ou insolação, ocorre quando a temperatura corporal do cão se eleva a níveis perigosos. Isso pode acontecer rapidamente, especialmente em cães com focinho curto (braquicefálicos), filhotes, cães idosos, cães com sobrepeso ou com condições médicas pré-existentes. A insolação é uma emergência veterinária que pode levar a danos cerebrais, falência de órgãos e até a morte se não for tratada prontamente.
Os sintomas iniciais de superaquecimento podem incluir ofegação intensa e ininterrupta, respiração rápida e superficial, gengivas e língua com coloração vermelho-escura, salivação excessiva e letargia. Conforme a condição piora, o cão pode apresentar vômitos, diarreia, tremores musculares, desorientação, convulsões e, em casos extremos, colapso e perda de consciência. É fundamental reconhecer esses sinais e agir rapidamente.
Escolhendo o horário certo para passear
O horário do passeio é, talvez, o fator mais crítico a ser considerado em dias quentes. Evitar o período de pico do sol é essencial para a segurança do seu cão.
Períodos ideais
Os melhores horários para passear com seu cão em dias quentes são antes das 9h da manhã e depois das 18h (ou até mesmo 19h), dependendo da localidade e da intensidade do calor. Nesses intervalos, as temperaturas do ar são geralmente mais amenas e, o que é crucial, as superfícies como asfalto e calçadas têm mais tempo para esfriar.
- Manhã cedo: Logo ao amanhecer, o ambiente ainda está fresco e o sol não tem força total para aquecer o chão. Este é um excelente momento para um passeio mais longo, onde o cão pode se exercitar à vontade.
- Fim de tarde/noite: Após o pôr do sol, as temperaturas começam a baixar significativamente. É importante aguardar um tempo suficiente após o sol se pôr para que o asfalto e as calçadas também esfriem. Um passeio noturno pode ser uma ótima alternativa, mas exige atenção extra à segurança e visibilidade.
Períodos a evitar
Absolutamente, evite passear com seu cão entre 10h da manhã e 17h (ou até 18h). Este é o período em que o sol está mais forte e as temperaturas do ar e, consequentemente, do solo, atingem seus picos. Mesmo em dias nublados, a radiação solar e o calor podem ser intensos.
O teste da palma da mão
Esta é uma regra de ouro simples e eficaz para verificar a segurança do piso. Antes de sair com seu cão, coloque a palma da sua mão no asfalto ou na calçada e mantenha-a lá por sete segundos.
- Se estiver muito quente para você manter a mão, então está quente demais para as patas do seu cão. As almofadas plantares dos cães, embora resistentes, são sensíveis a temperaturas extremas e podem queimar rapidamente. Lembre-se que o solo pode ser muito mais quente do que o ar.
Este teste deve ser realizado antes de cada passeio em dias quentes, mesmo nos horários "seguros", pois as condições podem variar.
Riscos para as patas do cão
As almofadas plantares dos cães são projetadas para proteger seus pés, mas não são invulneráveis. O asfalto e outras superfícies escuras absorvem e retêm o calor do sol, podendo atingir temperaturas altíssimas que são equivalentes a fornos quentes.
Queimaduras nas almofadas plantares
As queimaduras nas patas são um risco real e doloroso. Em temperaturas de 50°C, a pele humana pode queimar em apenas 60 segundos. As patas dos cães são um pouco mais resistentes, mas também podem sofrer queimaduras de segundo e terceiro grau rapidamente em superfícies que atingem facilmente 60°C ou mais. Para referência, o asfalto em um dia de 30°C pode chegar a 55-60°C.
- Sinais de queimadura: Coçar ou lamber as patas excessivamente, mancar, relutância em andar, almofadas vermelhas ou escurecidas, bolhas, perda de parte da almofada, e vocalização de dor.
- Tratamento inicial: Se suspeitar de queimadura, leve o cão imediatamente para um local fresco. Lave as patas suavemente com água fria (não gelada) e limpa por alguns minutos. Nunca tente aplicar gelo diretamente, pomadas ou loções sem orientação profissional, pois isso pode agravar a lesão. Enfaixe as patas com gaze limpa e leve o cão a um veterinário imediatamente. Queimaduras nas patas são extremamente dolorosas e propensas a infecções.
Cuidados essenciais durante o passeio
Além de escolher o horário certo, outros cuidados são indispensáveis para garantir a segurança e o bem-estar do seu cão em dias quentes.
Hidratação constante
- Água fresca sempre: Leve sempre uma garrafa de água fresca e uma tigela portátil (dobrável) para o seu cão. Ofereça água a ele regularmente durante o passeio, especialmente após períodos de atividade. Não espere que ele demonstre sede.
- Paradas para descanso: Faça pausas frequentes à sombra para que seu cão possa descansar e se refrescar.
Evitando superfícies quentes
- Busque gramados e áreas sombreadas: Priorize passeios em parques com grama, trilhas na terra ou calçadas sombreadas. Essas superfícies tendem a ser mais frescas do que o asfalto ou o concreto expostos ao sol.
- Mantenha-o na sombra: Sempre que possível, guie seu cão pela sombra, seja de árvores, edifícios ou outros elementos que bloqueiem o sol direto.
Acessórios de proteção para as patas
- Botinhas de proteção: Em situações onde não é possível evitar superfícies quentes, como uma rápida travessia de asfalto, considere o uso de botinhas protetoras para cães. Elas são feitas de materiais resistentes ao calor e fornecem uma barreira física entre as patas e o chão. É importante que as botinhas se ajustem bem para não causar atrito ou desconforto. Acostume seu cão a usá-las gradualmente, começando com períodos curtos em casa.
- Ceras protetoras: Existem ceras e bálsamos específicos para as almofadas plantares que podem ajudar a criar uma barreira protetora e hidratar, prevenindo rachaduras e ressecamento. Embora não substituam as botinhas em calor extremo, elas são úteis para manter a saúde geral das patas.
Adaptação da intensidade do passeio
- Passeios mais curtos: Em dias muito quentes, mesmo nos horários mais frescos, pode ser necessário reduzir a duração e a intensidade do passeio.
- Atividades alternativas: Considere atividades internas ou alternativas para gastar a energia do seu cão, como brincadeiras com brinquedos interativos, treinamentos de obediência em casa, ou até mesmo um mergulho em uma piscina própria para cães (se houver segurança e supervisão).
Sinais de superaquecimento e como agir
Reconhecer os sinais de superaquecimento rapidamente pode salvar a vida do seu cão.
Sinais iniciais de alerta
- Ofegação excessiva e ininterrupta: Mais intensa que o normal, mesmo em repouso.
- Respiração rápida e superficial: O cão parece ter dificuldade para respirar.
- Língua e gengivas vermelho-escuras ou azuladas: Em vez de rosa-claro.
- Salivação intensa e espessa: Babar muito, com saliva que pode parecer pegajosa.
- Pele quente ao toque: Especialmente na região da virilha e axilas.
- Letargia e fraqueza: O cão parece cansado, reluta em se mover ou demonstra falta de energia.
Sinais avançados e emergenciais
- Vômitos e diarreia: Podem ocorrer, às vezes com sangue.
- Desorientação e confusão: O cão pode cambalear, parecer perdido ou não responder a comandos.
- Tremores musculares e convulsões: Movimentos involuntários e incontroláveis.
- Colapso e perda de consciência: O cão desmaia ou não consegue se levantar.
Primeiros socorros para superaquecimento
Se o seu cão apresentar qualquer um desses sinais, aja imediatamente:
- Leve-o para um local fresco e sombreado: Remova-o do calor imediatamente.
- Ofereça água fresca: Não force, mas incentive-o a beber.
- Resfrie o corpo gradualmente: Molhe-o com água fresca (NÃO GELADA) nas patas, abdômen, virilha e pescoço. Você pode usar uma toalha úmida ou uma mangueira de baixa pressão. O resfriamento deve ser gradual para evitar um choque térmico. Nunca jogue água gelada diretamente sobre ele, pois pode causar constrição dos vasos sanguíneos e dificultar o resfriamento.
- Ventile-o: Use um ventilador ou abane-o para ajudar a evaporar a água e resfriar o corpo.
- Não o cubra com toalhas úmidas quentes: Certifique-se de que as toalhas permaneçam frescas ou as remova se estiverem esquentando.
- Procure atendimento veterinário imediatamente: Mesmo que o cão pareça melhorar, é fundamental que ele seja examinado por um médico veterinário (CRMV) para garantir que não haja danos internos. A insolação é uma emergência e o tempo é crucial.
Cães com maior risco
Alguns cães são mais suscetíveis aos efeitos do calor e exigem cuidados ainda mais rigorosos.
Raças braquicefálicas
Cães de focinho curto, como Pugs, Buldogues Franceses e Ingleses, Boxers, Shih Tzus e Pequineses, têm vias aéreas comprometidas e maior dificuldade para respirar e dissipar o calor eficientemente. Eles superaquecem muito mais rapidamente e são particularmente vulneráveis à insolação. Para esses cães, passeios curtos em horários extremamente frescos e foco em atividades internas são a melhor abordagem.
Cães com pelagem espessa
Raças como Huskies Siberianos, Samoiedas, São Bernardos, Chow Chows e outros cães com pelagem dupla e densa foram desenvolvidos para climas frios. Essa pelagem, embora ofereça alguma proteção contra o sol, também isola o calor do corpo, dificultando o resfriamento em climas quentes. Nunca tose a pelagem dupla completamente, pois isso pode expor a pele ao sol e desregular a temperatura natural. A escovação regular para remover o subpelo solto é importante.
Cães idosos, filhotes e com condições de saúde
- Cães idosos: Podem ter sistemas cardiovasculares e respiratórios menos eficientes, além de condições médicas crônicas que os tornam mais frágeis ao calor.
- Filhotes: Seus sistemas de regulação térmica ainda não estão totalmente desenvolvidos, tornando-os mais vulneráveis.
- Cães com sobrepeso/obesidade: A camada extra de gordura atua como isolante térmico, dificultando a dissipação do calor.
- Cães com doenças cardíacas, respiratórias ou neurológicas: Qualquer condição que afete o coração, pulmões ou sistema nervoso central pode aumentar o risco de superaquecimento.
- Cães com epilepsia: O calor excessivo pode desencadear crises epilépticas.
Para todos esses grupos, o acompanhamento veterinário (CRMV) é indispensável para definir o melhor plano de exercícios e cuidados em dias quentes.
Perguntas frequentes
Meu cão pode usar protetor solar?
Sim, existem protetores solares específicos para cães. Eles são recomendados para áreas com pouco pelo ou pele clara, como a ponta das orelhas, focinho e barriga, especialmente em cães que se expõem muito ao sol. Nunca use protetor solar humano, pois pode conter ingredientes tóxicos para os cães se ingeridos. Consulte um médico veterinário (CRMV) para indicações de produtos seguros.
Devo tosar meu cão em dias quentes?
Para cães com pelagem dupla, como Huskies ou Golden Retrievers, tosar totalmente não é recomendado. A pelagem dupla age como um isolante térmico natural, protegendo tanto do frio quanto do calor e do sol direto. Tosar pode desregular a temperatura e expor a pele a queimaduras solares. Para cães de pelagem simples, uma tosa mais curta pode ajudar, mas sempre mantenha um comprimento mínimo para proteção. A escovação regular é sempre benéfica para remover pelos soltos e permitir a circulação de ar na pelagem.
Posso colocar gelo na água do meu cão para refrescá-lo?
Sim, colocar algumas pedras de gelo na água do seu cão pode ajudar a mantê-la fresca e mais atraente para ele beber, incentivando a hidratação. Certifique-se de que o gelo não impeça o cão de beber a água. No entanto, evite dar água muito gelada em grandes quantidades rapidamente a um cão superaquecido, pois isso pode causar choque. O resfriamento deve ser gradual.
Meu cão pode nadar para se refrescar?
Sim, a natação é uma excelente forma de exercício e resfriamento em dias quentes, desde que o local seja seguro e adequado para cães. Certifique-se de que a água esteja limpa, que não haja correntes fortes ou perigos escondidos, e que o cão tenha acesso fácil para entrar e sair. Supervisione-o sempre, e em piscinas, utilize colete salva-vidas se ele não for um bom nadador. Após a natação, seque bem as orelhas para prevenir infecções.
Quais brinquedos posso usar para manter meu cão ativo dentro de casa?
Brinquedos interativos que dispensam petiscos, quebra-cabeças para cães, brinquedos de morder resistentes e sessões de treinamento com reforço positivo são ótimas opções para estimular mentalmente e fisicamente seu cão dentro de casa. Jogos de esconde-esconde (com você ou com petiscos) também podem ser divertidos e cansativos.
Considerações finais
A segurança e o bem-estar do seu cão são prioridades inegociáveis. Em dias quentes, a rotina de passeios deve ser adaptada com inteligência e responsabilidade. Lembre-se sempre do teste da palma da mão, priorize os horários mais frescos, ofereça hidratação constante e esteja atento aos sinais de superaquecimento.
A prevenção é a melhor estratégia. Adaptar a rotina do seu cão ao clima não é um luxo, mas uma necessidade para protegê-lo de riscos graves à saúde. Em caso de dúvidas ou emergência, não hesite em procurar um médico veterinário (CRMV) imediatamente. Seu profissional de confiança poderá oferecer orientações específicas para a saúde e as necessidades do seu companheiro.
Com esses cuidados, podemos continuar desfrutando da companhia de nossos amigos de quatro patas de forma segura e feliz, mesmo quando o termômetro sobe.
Até a próxima,
Marina Cavalcanti Redatora-chefe, uhmogle.
Quando consultar um veterinário
Este artigo é informativo e educacional. Não substitui consulta veterinária presencial. Cada animal tem necessidades específicas que devem ser avaliadas por profissional habilitado.
Como produzimos este conteúdo
- Metodologia editorial
- Pesquisa em fontes oficiais (CRMV, CFMV, WSAVA, FMVZ-USP, UFRGS, Embrapa) e apuração conduzida pela redação-chefe, com segunda leitura editorial antes da publicação. Ver processo completo.
- Limites de escopo
- Conteúdo educativo. Nossa redatora não é médica veterinária e não prescrevemos tratamentos, dosagens ou medicamentos. Procure sempre um profissional registrado no CRMV.
- Publicação e revisão
- Publicado em 21 de ago. de 2026. Escrito e revisado por Marina Cavalcanti.
- Fonte principal consultada
- WSAVA — World Small Animal Veterinary Association
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Fonte: WSAVA — World Small Animal Veterinary Association
Crédito da imagem: Unsplash / Unsplash — Unsplash License
Última atualização: 21 de ago. de 2026


